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terça-feira, 1 de abril de 2014

Sentimento do mundo: Raízes Profundas.

Se eu tivesse que definir meu pai em um personagem, indubitavelmente este seria Ned Stark. Por que ele perde a cabeça fácil? Talvez, mas mais pela sua imbatível bússola moral que o impede de seguir pelos caminhos mais “fáceis” (e incorretos) ainda que sua vida dependesse disto.
Uma vez, há muito, muito tempo, quando eu era criança, entre inúmeras outras coisas que costumava aprontar, talvez a que tenha me dado a maior lição foi em determinada ocasião que quebrei um presente que ele havia dado para minha mãe. Era um elefantinho de cristal, de decoração. Não me recordo em detalhes o que houve, mas eu quebrei e escondi. Quando questionado, afirmei até o último instante que não sabia onde estava, que não havia mexido. Também, apenas pelo ritual, questionaram meu irmão, mas ele negou, e também não era possível culpá-lo, pois ele nem em casa estava. Continuei negando ter mexido no dito cujo. Após muito tempo, acabei admitindo que o havia quebrado e escondido. Devolvi. Hoje percebo que um pouco de SuperBonder teria resolvido o problema, mas céus, eu não tinha como pensar nessa solução.
Após averiguarem o dano, meu pai me colocou de castigo. Também não me recordo qual foi, mas estou vivo hoje e sem traumas, então não deve ter sido algo tão grave (mas quando você é uma criança, tudo tende a ser exageradamente maior). E, por consequência, apanhei (não pensem que ele é um monstro, naquela época não existia lei da palmada, e é exatamente o que falta para muita gente hoje – algumas surras). Meu pai explicou que o castigo era por ter quebrado, mas apanhei por ter mentido.
Claro, isto não me impediu de mentir inúmeras outras vezes, e devo admitir, embora não com tanto orgulho, que acabei dominando a arte. Mas ainda que utilize-me dela, sei que é errada. E sei até que ponto devo leva-las, e quando chega a hora de assumir as responsabilidades e arcar com as consequências, fazê-lo com cabeça erguida e peito estufado. Posso não me orgulhar do que fiz, mas sim de ser homem de assumir.
Isto me faz pensar. Parafraseando um trecho de Ilha do Medo (Shutter Island), “o que é pior? Viver como um monstro ou morrer como um bom homem?”. Cause danos e as pessoas irão desgostar de você. Após ser desmascarado, continue negando categoricamente sua culpa, e você será odiado. Desprezado. Subjugado. Vale a pena viver num mundo forjado pelas mentiras? Basta uma rachadura, e toda a estrutura será reduzida à poeira e cinzas.
Fazer algo sabidamente errado é ruim, mas pior ainda é não ter caráter de admitir e aceitar suas consequências.








Sobre o autor: Marco tem 23 anos e mora em São Paulo. Formado em comércio exterior no SENAC, hoje trabalha como estagiário na Editora Abril. Tem paixão por livros e ama escrever. Faz cosplay de Luke (Percy Jackson) e Gus (A culpa é das estrelas.)
(Ele está inaugurando "Sentimento do mundo", a nova categoria do blog, em que autores desconhecidos como ele, tem seus escritos divulgados no blog! Que tal ter o seu texto aqui também? Saiba mais aqui.)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Um olho chorando de alegria e outro chorando de luto.

"Um olho chorando de alegria e outro chorando de luto" E mais uma vez aqui estou eu começando mais um projeto de texto com a frase de outra pessoa. Que culpa tenho eu se não consigo organizar meus pensamentos de uma forma decente e no mínimo coerente do começo ao fim?
Não sei se já comentei com vocês mas O Teatro Mágico tem a formula da minha calmaria. O meu mundo pode estar desabando e é só tocar uma das poesias musicais da trupe mais mágica do mundo que tudo começa a se encaixar de modo bem estranho.
Mas não estou aqui para falar sobre eles, vou falar um pouco sobre mim.
Resolvi que esse ano vou ser eu mesma o tempo todo, e digo isso em relação a demonstração de sentimentos. Ainda sou reservada, não tímida mas sim observadora. Mas não vou mais me trancar dentro do meu mundo. Se quiser sorrir, vou sorrir. Se quiser chorar, vou chorar. E não me importo nem um pouco de fazer isso em público. Não mesmo.
Já tive receio de sorrir por ainda estar em fase de luto. Perdi duas pessoas que eu julgava serem as mais importantes da minha vida.
Todavia, agora percebo que o luto acontece aqui dentro de mim, ainda terei pesadelos, ainda perderei noites de sono e sonho debulhando em lágrimas de saudade e nostalgia. Mas Fernando Anitelli conseguiu colocar uma coisa nessa minha mente limitada: "Camarada viva a vida mais leve, não deixe que ela escorregue, que te cause mais dor, viva a tua maneira, saiba do teu valor."
E é como se a dor que eu estou sentindo por conta das perdas fosse um anel maligno que me deixasse pra baixo e sem direito a vida, as risadas e alegrias toda vez que eu o colocasse no dedo. E quando eu colocasse ele no bolso perto do peito, eu sentisse ele ali, incomodava, mas não era maior que minha força e coragem de seguir em frente. Quando perdemos alguém que amamos, que realmente amamos, não temos força o suficiente para tirar esse anel de nossos dedos. Porém com o tempo e com a ajuda, aquela que preferirmos ter: seja de um amigos, parentes, músicas, livros ou poesias. Conseguimos tirar ele de nossos dedos.
Mas por outro lado eu sinto e vejo claramente que esse ano pode ser o ano de maiores conquistas, só depende de mim. As grandes oportunidades estão aí, então, pra quê adiar?
E talvez, muito provavelmente esse texto não está fazendo sentido algum para você que está lendo. Mas tente guardar ele em algum lugar da sua alma, que talvez ele lhe seja útil em um dia difícil.
Pois todos nós teremos nossos momentos de desespero. 
Espero que você, assim como eu, consiga ser sincera consigo mesma e se permita sentir absolutamente tudo que precisa.
A dor precisa ser sentida para ir embora.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Último dia bom.

"Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes." - Tati Bernadi.

(E essa é a frase que mais se encaixa nesse meu começo de ano. Que pela primeira vez começou só. Sem expectativas, apenas as cicatrizes de pontos finais deixadas em algum lugar do ano passado.)

Transformando esse texto em um pequeno diário, vou jogar algumas verdades e memórias, e que essas palavras um dia me façam rir da minha ingenuidade.

Se for para recapitular as melhores lembranças, ele está em todas, quer ver só?

THG no Santa Cruz, O Hobbit na Mooca. SP brilhando e com o céu escuro engolindo as cores dos prédios e nos cobrindo de esperanças. Um pouco perdidos em uma cidade tão grande. Perdidos, porém juntos, e dái? Dái que juntos não tinha problema algum. Quem me dera estar perdida com ele até agora, perdida pra sempre, eu e ele, ele e eu, apenas, sós, somente nós. Tem também O Retorno do Rei e A sociedade do anel. Uma pequena discussão por eu não gostar de As duas torres. Gosto mesmo não. Conheci os seus livros. Me encantei. Ele sorriu e me beijou. E beijou, beijou, beijou..

Dia 27 de dezembro de 2013 foi o último dia bom.

Tinha abraço, tinha beijo, mordida, barba no pescoço, tinha cócegas, oh se tinha! Senhor dos anéis, uma guitarra e um violão, MPB, Teatro Mágico e Kid abelha. Tinha olho no olho, risada e lágrimas, tinha mão na mão, lábio no lábio, coração no coração. Tinha promessas e sonhos, devaneios e confissões. Abraço de urso, arranhão e mordida. Tinha tanta coisa! Eita dia bom!

E no fim teve briga. Mas era noite, então o dia, ainda foi um dia bom.

E acabou.

Uma mentira, um medo, outra mentira, mais um medo. Uma bola de neve de mentiras, lágrimas e um puta medo! E acabou.

Não tinha perdão, não tinha desculpas, não tinha mais promessas, não tinha mais planos, mais sonhos, mais amor, mais carinho, mais proteção, mais guarda, mais aventuras. Não sobrou mais nada. Graças a uma madrugada ruim.

E os dias bons? A madrugada os engoliu? Sempre achei que o sol brilhava mais que a lua. Por qual motivo teu mundo precisa ser tão diferente do meu?

Não estou pronta para te esquecer, confesso. Não existe mais ninguém no mundo como você. Mas tudo bem, eu supero, a saudade fica e eu vou ficando no passado também. Um dia eu volto, um dia talvez.
 
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